
Boa noite, habladores. Hoje irei iniciar a primeira postagem desse blog trazendo a resenha de um filme de terror indonésio que assisti a um tempo atrás. O filme é promissor no começo, mas no terceiro ato ele tropeça e decai a qualidade. O ponto central da crítica é que essa escolha não é apenas um erro de gosto é uma quebra de contrato com o espectador. O filme passa a maior parte do tempo construindo uma lógica de medo espiritual, etéreo, baseado na presença invisível e na ameaça que a imaginação completa. E o terceiro ato para o encerramento quebra essa dinâmica. Vamos ao post.
A figura da mãe morta, surgindo como presença espectral, é
construída com paciência e genuíno senso de ameaça. Aqui, o filme entende algo
fundamental que muitos filmes de terror esquecem: o que não se vê assusta muito
mais do que o que se mostra.
"Na primeira metade, Anwar demonstra que sabe construir tensão com economia e precisão. É terror de verdade, aquele que te deixa desconfortável muito antes de qualquer susto acontecer."
E então vêm os zumbis.
É difícil não sentir uma pontada de decepção quando o filme
decide abandonar o sobrenatural etéreo que tão bem havia construído e entra de
cabeça num subgênero completamente diferente. A introdução de mortos-vivos no
clímax não apenas soa como uma mudança de tom injustificada, ela destrói a
coerência do universo que a própria narrativa havia estabelecido. O terror de
espectros funciona pela ambiguidade, pelo não-dito. Zumbis exigem o oposto:
corpos, ação, confronto físico.
O resultado é um filme que parece ter dois roteiros
diferentes costurados pela metade. O que era uma experiência de angústia
espiritual vira quase um filme de ação de baixo orçamento, e nenhum dos dois
gêneros se beneficia da fusão. A tensão que levou uma hora para ser construída
se dissipa em questão de minutos.
Os pontos fortes desse filme são:
- Atmosfera densa e eficaz
- Design de som impecável
- Construção lenta de tensão
- Fotografia envolvente
- Atuações sólidas
E os pontos fracos desse filme são:
- Virada brusca para zumbis
- Incoerência de tom no final
- Clímax desperdiçado
- Tensão desfeita no ato final
Há um filme excelente dentro de Escravos de Satã, e ele está nos seus primeiros dois terços. Se Anwar tivesse mantido a fidelidade ao sobrenatural que tão bem havia cultivado, poderíamos estar falando de um dos grandes títulos do terror asiático moderno, ao lado de Médium e Invocação do Mal, que não é asiático, mas um excelente filme de terror. Em vez disso, o que temos é um filme que se sabota no momento mais importante: quando o medo deveria atingir seu pico, ele troca o psicológico pelo mecânico.
Conclusão, vale a sessão pela primeira metade, mas prepare-se para a frustração do desfecho. Escravos de Satã é um exercício brilhante de construção atmosférica que perde a coragem quando mais precisava dela, e opta pelo caminho mais fácil num momento em que o caminho difícil prometia algo memorável. O filme possui continuação que foi lançado em 2021, se não me falha a memória, se chama Escravos de Satã - A Comunhão, porém, não sei se darei continuidade assistindo o segundo filme, visto que fiquei bem decepcionada com o primeiro.
Nota 6,0/10



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